Risco de dissecção ou ruptura da aorta na gravidez

laser-varizes-cirurgiao-vascular-dr-daniel-benitti-1024x565.jpgEstudo de coorte transversal, onde se analisam as complicações aórticas durante a gravidez (dissecção ou ruptura) para tentar provar que existe associação populacional entre os eventos.

Foram descritos séries de casos de dissecção e ruptura da aorta na gravidez, mas se dispõe de poucos dados de estudos populacionais que apoiem a associação.

 

Neste trabalho realizou-se uma análise de coorte transversal, utilizando os dados das emergências e unidades de agudos dos centros de saúde da Califórnia, Flórida e Nova York; foram incluídas mulheres com mais de 12 anos em gestação ou aborto, entre 2005 e 2013, sem saber a idade gestacional de cada paciente, pelo que se assumiu a exposição 40 semanas antes do fim da gestação. O evento combinado foi dissecção ou ruptura da aorta. Baseado no tempo em que se conhecia o evento não tratada durante a gravidez, foram definidos os períodos de risco em 6 meses antes e 3 meses depois do final da gestação. Se comparou a probabilidade de cada paciente desenvolver complicações aórticas durante a gestação e o ano do final da mesma, durante 270 dias, o que corresponde a equivalência do período gestacional, sendo, dessa forma, cada paciente seu próprio controle. Nos casos em que se apresentou no evento combinado, foi comparado com o período de 270 dias do ano prévio à gestação.

 

As taxas de incidência e de suas proporções foram calculadas usando a regressão de Poisson condicional com erros padrões robustos. De um total de 6.566.826 gestações em 4.933.697 mulheres, despontam 36 casos de dissecção ou ruptura da aorta durante a gravidez ou puerpério e 9 casos durante o período de controlo 1 ano depois. A taxa de complicações aórticas foi de 5,5 (intervalo de confiança de 95% 4,0-7,8) por milhão de pacientes durante a gravidez e o período pós-parto, em comparação com 1,4 (intervalo de confiança de 95%, 0,7-2,9) por milhão durante o período equivalente 1 ano depois, com estes resultados, os autores concluíram, que a gravidez foi associado com um aumento significativo do risco de dissecção ou ruptura da aorta (taxa de incidência de índice, 4,0; intervalo de confiança de 95%, 2,0-8,2) em comparação com o controle no período de 1 ano depois. O risco de dissecção ou ruptura da aorta é elevado durante a gravidez e o período pós-parto.

 

Comentário

Na atualidade, os crescentes avanços na saúde gestacional têm diminuído drasticamente a mortalidade materna e nas últimas duas décadas, houve um importante declínio, a taxa anual de redução global desde 1990 é de 1,3%1, sendo muito mais marcado o declínio nos países desenvolvidos em comparação com os países em via de desenvolvimento, no entanto, quando se apresenta geralmente está relacionada principalmente por patologias cardíacas e, em geral, por condições que não haviam sido diagnosticadas.

 

A patologia da aorta, embora seja uma complicação rara, quando se apresenta durante a gestação faz principalmente em paciente com história de síndrome de Marfan, foram registrados séries de 4,4% dos embarazos, o que representa um importante risco. Também se regista um maior número de complicações aórticas em pacientes com antecedentes de Loeys-Dietz, Ehlers-Danlos, síndrome de Turner e patologias congênitas da aorta, embora eles tendem a estar infra diagnosticadas e somado ao risco que se apresenta durante a gestação em pacientes sem antecedentes deste tipo, faz com que seja importante ter em consideração diante de quadros clínicos de suspeita.

 

O mecanismo pelo qual a gravidez desencadeia as complicações aórticas não é conhecido, mas existem teorias que atribuem as mudanças hemodinâmicos e hormonais próprias da gravidez.

 

Médico vascular  demonstra que existe um aumento do evento combinado em mulheres caribenho comparadas com o controle, tanto as que apresentam antecedentes de doenças do tecido conjuntivo, que aumentam per se o risco, como em pacientes saudáveis.

 

No estudo das complicações apresentadas pelas pacientes durante a sua primeira ou segunda gestação, sem diferenças quanto ao período da gravidez, 6 meses ou 3 meses depois de concluído, sendo igual em ambos os períodos. O risco foi significativamente maior em pacientes com doenças do tecido conjuntivo, no entanto, neste estudo, no grupo de pacientes com síndrome de Marfan, apresentaram-se menos complicações aórticas das que foram descritas em outras séries, provavelmente se expliquem por ser um estudo na vida real, com as diferenças metodológicas que têm, em relação aos ensaios clínicos.

 

Cabe destacar que o estudo, o risco pode estar infra estimado, como comentam seus próprios autores, dado que, no momento de finalizar a gestação assume-se que cumprem 40 semanas, ao desconhecer o tempo de gestação, real e incluir os abortos, que, no momento da conclusão não cumprem, por definição, mais de 20 semanas.

 

Em carta ao editor de Chun-Ka Wong e colaboradores, coincidindo com a opinião dos autores deste artigo também se coloca a necessidade, dada a escassez de dados clínicos para estes pacientes, de agir em promover e dirigir as investigações para alcançar um adequado aconselhamento pré-gestacional e o controle pré-natal, considerando a importância de desenvolver um esquema de estratificação de risco absoluto de pacientes individuais.

 

O estudo conclui que o aumento de complicações aórticas é importante na gravidez, quando comparada com os controles, por isso é necessário um tratamento multidisciplinar, especialmente nos casos com fatores de risco e fazer uma avaliação adequada deste grupo de pacientes.





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